sábado, 28 de dezembro de 2013

Teimosias

É precisamente isto que me define,
É exatamente isso que me redime.
Uma paciência irrequieta,
Uma agitação paralisante.
Teimosia revestida de audácia
ou coragem apimentada com certeza?
Eu não sei,
porque nem tenho outras pretensões.
Talvez saiba, porque quero desentender,
desconhecer, metamorfosear.
Mimetizar o tempo com meus sonhos.
Os tempos e as teimosias me habitam,
no templo que chamam de corpo.
Eu vou, me espere!
Chego num instante!
Mas não tão depressa.
Quero ir no ritmo gracejante
das ondas que se movem
de onde para nada,
do nada para sempre, 
incansáveis, indomadas.
Teimosias de não ficar quieta,
me levam para um não lugar
que é sempre lugar,
para o bem ou para o mal.

Elaine Soeira





sábado, 14 de dezembro de 2013

Pessoal,

Estou mudando de endereço.

http://cousasqueiscrivinhu.wordpress.com/

Espero vocês por lá!

Abraços
Ainda que queiras me aprisionar,
que amarre os meus pés,
que acorrente meu corpo.
Trago no meu espírito
um desejo tão grande
capaz de quebrar amarras,
e impossível de ser trancafiado.
Esse desejo atende pelo nome de SONHOS.
Elaine Soeira


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Luz

Ainda que seja noite,
mesmo que esteja escuro.
Que haja flores para perfumar,
borboletas para suavizar,
águas calmas para contemplar,
estrelas para brilhar.
Porque todas as belezas,
estão em sua alma,
brotam de sua luz.

Elaine Soeira

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Dar-se tempo

Pra quem anda afoito
Em cerradas lutas com o tempo
Nem sempre contempla belezas
travessuras e dúvidas
Permanece rascunho do que seria projeto.
Elaine Soeira

Paisagem: texto aberto

Paisagens são textos em aberto
Versos por terminar
Instâncias infinitas de possibilidades,
Singularidades
Olhares são capazes de
Desavessar o real
Desafiar o normal
Harmonizar o não convencional
As lentes captam objetivamente
O cérebro interpreta perceptivamente
Sensibilidades, adversidades…
Invertitudes.

Lugares

Sou de duas terras: uma de sangue, outra de escolha
Por elas se chega pelos ares, pelas terras, pelos mares
Compartilham e dissociam
Aproximam e afastam
Desafiam, maltratam
Acalentam, reatam
Amo as duas!
Suas presenças, suas ausências
Paciência!
Seus vazios barulhentos,
seus preenchimentos silenciosos.
Seus verdes, seus mares
Seus céus, azuis, saudades…
Sou de duas terras… sou de tantas terras

Elaine Soeira

Semear, semeare

Há que semear,
Nas terras secas, nas terras úmidas
Nas águas do mar, no leitos dos rios
Nos céus
Nas pedras, nas areias…
Movediças ou petrificadas.
Há que semear esperanças.
Elaine Soeira

Flores raras, somos tod@s nós

Assistindo Flores Raras, dei-me conta do quão sofrida é a busca da perfeição naquilo que se faz.
Dei-me conta de quanto me desprendo do mundo buscando a exatidão e a perfeição, ainda que nem sempre precise, ainda que nem tudo mereça. Não que não mereça o bem feito, mas não merece que eu me desprenda de mim mesma, para me prender às burocracias.
Ao menos me restam duas coisas: a consciência e a escrita despretensiosa.
Foi um acerto não decidir ser poetisa por profissão, nem escrever livros por devoção. Adotei a escrita como tradução do que não consigo dizer e materializar pelas vias da objetividade. É meio de dizer das perdas, dos ganhos, das dúvidas, das paixões… dos (des)encantos…
Elaine Soeira

Bem que podia

Bem que podia
Me pegar despreparada
Uma paixão desatinada
Uma atração inesperada
Me deixar desconcertada
Bem que podia
Um encontro inusitado
Num dia não planejado
Um príncipe (des)encantado
Bem que eu queria
Ter a vida reinventada.
Elaine Soeira

Apagar lembranças

Foste,
brilho dos meu olhos
sol da minha noite
lua do meu céu
estrelas dos meus dias
cores dos meus sonhos.

Desbota-te!
Faço-te uma súplica premente.
Desbota-te como fotografia antiga
Desintegra-te como as velhas cartas
Esmiúda-te e descolore-te
dos meus sonhos, dos meu dias
do meu EU.
Desperfumei minhas lembranças.
Guardei-te onde não posso mais lhe ver
Onde tua presença se faça despresença
Silenciei-te nos cacos do espelho quebrado,
para que permaneças presença
naquilo que não mais me magoa.
Elaine Soeira

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Em busca de uma bolsa perdida e outras marmotas

Toda viagem, perto ou longe
Quer queira, quer não
É potencialmente plena
De lotes de emoção

De Maceió nós saímos
Para em Natal atracar
Malas cheias de esperanças
Coração pulsando forte
Vamos outra vez nos formar!

A viagem foi longa, cansativa
E igualmente divertida
Só teve gente que não gostou
Das paradas pra comida

O hotel bem confortável
Apesar da lagoa inexplicável
No banheiro das meninas
Mas o que é uma lagoa?
Para quem o painel de decoração
Consegue, ao empurrar a cama, arrancar?


O campus do IFRN nos deixou encantadas
Talvez com uma pontinha de inveja
Ao lembrarmos-nos da nossa peleja:
A eterna reforma do campus Maceió

Se a estrutura era avessa à costumeira,
Deixamos logo de besteira
Pois na porta, sempre a postos
Uma árvore charmosa nos recebia faceira.

Para além dos aprenderes,
Queríamos uma bolsa
De preferência à tiracolo
Para nossos pertences acomodar
Porque professor que se preza
Tem muitas tralhas pra levar

Uma leve tristeza nos tomou
Quando fomos comprovar
Que a esperada bolsa
Era uma bela pasta, sem alça pra pendurar


Já era de se esperar que a bolsa
Não caberia um terço do que pretendíamos levar
Começou a investida para outra comprar

Futucando daqui e dali
Viemos a encontrar
A bolsa ecológica da Eva
Cheias de maçãs pra enfeitar
Compramos logo de lote
E saímos felizes a desfilar

Mas isso não é tudo,
Fugimos do evento um tempinho
Para poder explorar
Um pouco da cultura
Do povo potiguar

Mas como tudo tem ônus e bônus
Entrando e saído de lojas
Uma de nos se perdeu
E de tão preocupadas
Ficamos nos perguntando:
Onde ela se meteu?

A TIM não colaborava
Perdemos todo o sinal
Em breve demo-nos conta
Que a feira chegara ao final

Liga daqui, recado dali
E nada da sumida aparecer
De repente, eis que ela desponta brejeira.
Antes de dar-se conta
De ter feito uma bobeira

Pensou ter partido de nós
A convocatória feita, pelo serviço de som
Qual nada!
Nenhuma de nós pensara nessa possibilidade

Seguindo para o almoço,
A moça brejeira deixou o grupo
Pois havia se metido
Num pequeno angu de caroço


Dera-se conta de ter perdido a pasta
(aquela pastinha do evento)
Se a bichinha tivesse alça,
Menor teria sido o tormento,
Certamente não haveria
O fatídico esquecimento

Um tempo depois
A pastinha fora encontrada
Por uma das lojistas
Que ficou sensibilizada
Fora ela quem colocara
O nome no serviço de som
Graças a Deus ainda existe
Gente com coração bom.

Ainda tem mais coisa,
Mas por, hora, preciso parar
Nas cercanias de cá,
Tenho outros textos para tricotar.
Espero revê-las em breve
Para outras marmotas colecionar.


Elaine Soeira
Agosto/2013











domingo, 25 de agosto de 2013

O que circula por aqui hoje é inspirado em um fato verídico envolvendo a minha pessoa e uma peça que assisti essa semana, A cantora careca, classificado no chamado "Teatro do Absurdo". Não que meu texto tenha tal pretensão, mas, ao pensar em escrever sobre o fato, achei que seria banal. Quem iria querer ler sobre duas unhas perdidas? Pois então, lembrei do texto, sem nexo, mas representativo de um movimento. Posto isto, decidi deixar os 'presepitismos bole-bolenses e saramandistas' de lado e lá vai.

Unhas...
porque tê-las?
porque não tê-las?
Quietas, paradas
Lentamente movem-se 
De forma quase imperceptível.
Para que mesmo servem?
Que falta fazem?
Nunca tinha perdido uma unha.
Agora estou perdendo duas.
Pela vaidade de um sapato
Que as apertou demais
Usei-o duas vezes
Senti a dor
Não percebi o estrago
Uma já se despediu
A outra está por um fio.
Unhas me ensinam sobre o cotidiano
Há coisas que ganham valor quando partem.





quarta-feira, 31 de julho de 2013

Marcas dos 38



E por entre ofícios,
longos e curtos,
próximos e distantes,
escrevo e reescrevo
partes de mim
e inscrevo marcas no mundo.
Inscrevo-me, outra vez mais, na história.


Elaine Soeira


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Travessia







Se o mundo te faz rir ou chorar

Atravesse a fronteira

Se há solidão na multidão

Atravesse a fronteira

Se há plenitude na solitude

Se é muito colorido ou monocromático 

Atravesse a fronteira 

Se há amor de mais ou de menos 

Atravesse a fronteira 

Se faz sol e calor 

Atravesse a fronteira 

Se há chuva e frio 

Atravesse a fronteira 

Se a dor persistir 

Atravesse a fronteira 

Se a felicidade existir 

Atravesse a fronteira 

Se é dia ou noite 

Atravesse a fronteira 

Se é real, virtual, surreal 

Atravesse a fronteira 

Movimente a vida 

Atravesse a fronteira 

Seja leve, seja alegre 

Atravesse a fronteira 


Elaine Soeira

O que trago comigo




Indubitavelmente, a melhor parte de nós não se pode ver com olhos comuns, com alma pesada, com coração fechado.

Não se vê porque se precisa de luz, de dom, de querer, de desprendimento.

É preciso descurvar-se, erguer a cabeça, fixar os olhos em lugar outro que não o seu próprio umbigo.

Se o ego é maior que a humildade, cegam-se os olhos, ensurdecem-se os ouvidos, insensibiliza-se o toque...


Esvazia-se de vida, preenche-se de nada.


Elaine Soeira



quarta-feira, 3 de julho de 2013

Inconstâncias constantes

A poesia veio e foi embora como se brincasse de pique-esconde.

Embora as palavras tenham escapado, 


o brilho das estrelas e da lua continuam bordando o céu 

que se funde e confunde com o mar.

Marolas, revoltas, ondas, reviravoltas... 


e no instante em que abro os olhos, 

tudo diferente de sempre.

Elaine Soeira


Ponto de vista

E eu estava lá no alto, sozinha, com medo, cheia de dúvidas.
De repente, resolvi abrir os olhos e espreitei à janela.
Vi um, dois, vários. Bordavam o céu, inscreviam vida no chão.
As luzes das cidades, das vilas, povoados acendiam-se. Instigavam-me.
De forma tão ordenada, construíam significados, talvez, (des)pretensiosos.
Cá de cima, eu vi o que, lá de baixo, podiam nem suspeitar.
Quase instantaneamente, mais um aparecia, emoldurando um lugar que não sei onde é, mas poderia denominar cada um, a partir do que vi.
De cima também vi, o céu mudando de cor, de um azul adornado com nuvens brancas, para um rosa-alaranjado que chegava mansamente, informando às outras cores que precisavam seguir viagem.
Sem pedir licença, as estrelas foram chegando... sozinhas, em bandos. Lindas!
E a lua, também encontrou seu espaço, seu lugar, enquanto o rosa-alaranjado cedia lugar a um azul marinho intenso.
A essa hora, o medo havia dado permissão à confiança. Respirei fundo, agradeci, aqueci meu coração e contemplei, mais uma vez, aquele pedaço da Terra, emoldurado pela janela.


terça-feira, 25 de junho de 2013



Memórias de uma mesa de trabalho

Hoje não tem poesia. 
Hoje só tem um pouco de saudade, 
tricotada com um pouco de lembranças,
alinhavada com amizade e dor,
arrematada com aprendizados, lágrimas e conquistas.
Hoje só tem o retrato de uma porta
que se abriu para outra dimensão.

sábado, 15 de junho de 2013

Não quero a liberdade


Desde o princípio somos isto
Interseção
Opostos que se imiscuem
Iguais que se separam
Nós, laços, elos
Atam, desatam, destratam

Cordão umbilical
Visceral, literal
Transcendental
Invisibilizado pela concretude
Visibilizado pelo abstratismo
Enraizadamente imortal
Imoral?

Existir é estar em relação

Nascer não liberta
Verbaliza a consciência da prisão
Dá limite à razão
Diferencia
Homens de pedras
Homens de máquinas
Homens de homens

Imoral é amnesiar o cordão umbilical
Laço primeiro, laço vital
Abnegar o seu dom de ser humano
Renunciar aos vínculos
Nascer para o nada


Elaine Soeira





sexta-feira, 14 de junho de 2013

Acenda-se



No meio do nada,
No centro de tudo, 
um mundo de luz.
Acende, recria, revive.
O colorido vem dos olhos,
da inspiração, da alma
Reluz o que quero,
oculta o que espero,
sombreia os desejos,
protege os nascimentos,
(re)vela segredos.
Numa caixinha semi-aberta,
me guardo, me mostro...
E luz se faz no meio da névoa,
para os corações que sabem ver.




Mensagens REM

Enigmáticos,
paradigmáticos,
sintomáticos,
estáticos,
pragmáticos,
enfáticos.
Tomam conta de mim.
Nem sempre os lembro.
Às vezes não os quero.
Há tempo os espero.
Desvelam mensagens,
imagens,
presságios,
prenúncios de estágios.
Verdades? Mentiras? Calúnias?
Certezas! Tristezas! Surpresas!
Medos, segredos...
Significados.

Sonhos.

Elaine Soeira



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Dê passagem

Abre a porta! Quero entrar!
Dá licença! Quero passar!
A noite chegou você não viu
A lua brilhou o amor partiu
A chuva parou, a rua calou
O orvalho inunda as folhas
O desejo transborda o corpo
Venha agora!
Não deixe o tempo...


Ainda te espero.

Elaine Soeira