sábado, 28 de dezembro de 2013

Teimosias

É precisamente isto que me define,
É exatamente isso que me redime.
Uma paciência irrequieta,
Uma agitação paralisante.
Teimosia revestida de audácia
ou coragem apimentada com certeza?
Eu não sei,
porque nem tenho outras pretensões.
Talvez saiba, porque quero desentender,
desconhecer, metamorfosear.
Mimetizar o tempo com meus sonhos.
Os tempos e as teimosias me habitam,
no templo que chamam de corpo.
Eu vou, me espere!
Chego num instante!
Mas não tão depressa.
Quero ir no ritmo gracejante
das ondas que se movem
de onde para nada,
do nada para sempre, 
incansáveis, indomadas.
Teimosias de não ficar quieta,
me levam para um não lugar
que é sempre lugar,
para o bem ou para o mal.

Elaine Soeira





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