terça-feira, 25 de junho de 2013



Memórias de uma mesa de trabalho

Hoje não tem poesia. 
Hoje só tem um pouco de saudade, 
tricotada com um pouco de lembranças,
alinhavada com amizade e dor,
arrematada com aprendizados, lágrimas e conquistas.
Hoje só tem o retrato de uma porta
que se abriu para outra dimensão.

sábado, 15 de junho de 2013

Não quero a liberdade


Desde o princípio somos isto
Interseção
Opostos que se imiscuem
Iguais que se separam
Nós, laços, elos
Atam, desatam, destratam

Cordão umbilical
Visceral, literal
Transcendental
Invisibilizado pela concretude
Visibilizado pelo abstratismo
Enraizadamente imortal
Imoral?

Existir é estar em relação

Nascer não liberta
Verbaliza a consciência da prisão
Dá limite à razão
Diferencia
Homens de pedras
Homens de máquinas
Homens de homens

Imoral é amnesiar o cordão umbilical
Laço primeiro, laço vital
Abnegar o seu dom de ser humano
Renunciar aos vínculos
Nascer para o nada


Elaine Soeira





sexta-feira, 14 de junho de 2013

Acenda-se



No meio do nada,
No centro de tudo, 
um mundo de luz.
Acende, recria, revive.
O colorido vem dos olhos,
da inspiração, da alma
Reluz o que quero,
oculta o que espero,
sombreia os desejos,
protege os nascimentos,
(re)vela segredos.
Numa caixinha semi-aberta,
me guardo, me mostro...
E luz se faz no meio da névoa,
para os corações que sabem ver.




Mensagens REM

Enigmáticos,
paradigmáticos,
sintomáticos,
estáticos,
pragmáticos,
enfáticos.
Tomam conta de mim.
Nem sempre os lembro.
Às vezes não os quero.
Há tempo os espero.
Desvelam mensagens,
imagens,
presságios,
prenúncios de estágios.
Verdades? Mentiras? Calúnias?
Certezas! Tristezas! Surpresas!
Medos, segredos...
Significados.

Sonhos.

Elaine Soeira



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Dê passagem

Abre a porta! Quero entrar!
Dá licença! Quero passar!
A noite chegou você não viu
A lua brilhou o amor partiu
A chuva parou, a rua calou
O orvalho inunda as folhas
O desejo transborda o corpo
Venha agora!
Não deixe o tempo...


Ainda te espero.

Elaine Soeira