quarta-feira, 31 de julho de 2013

Marcas dos 38



E por entre ofícios,
longos e curtos,
próximos e distantes,
escrevo e reescrevo
partes de mim
e inscrevo marcas no mundo.
Inscrevo-me, outra vez mais, na história.


Elaine Soeira


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Travessia







Se o mundo te faz rir ou chorar

Atravesse a fronteira

Se há solidão na multidão

Atravesse a fronteira

Se há plenitude na solitude

Se é muito colorido ou monocromático 

Atravesse a fronteira 

Se há amor de mais ou de menos 

Atravesse a fronteira 

Se faz sol e calor 

Atravesse a fronteira 

Se há chuva e frio 

Atravesse a fronteira 

Se a dor persistir 

Atravesse a fronteira 

Se a felicidade existir 

Atravesse a fronteira 

Se é dia ou noite 

Atravesse a fronteira 

Se é real, virtual, surreal 

Atravesse a fronteira 

Movimente a vida 

Atravesse a fronteira 

Seja leve, seja alegre 

Atravesse a fronteira 


Elaine Soeira

O que trago comigo




Indubitavelmente, a melhor parte de nós não se pode ver com olhos comuns, com alma pesada, com coração fechado.

Não se vê porque se precisa de luz, de dom, de querer, de desprendimento.

É preciso descurvar-se, erguer a cabeça, fixar os olhos em lugar outro que não o seu próprio umbigo.

Se o ego é maior que a humildade, cegam-se os olhos, ensurdecem-se os ouvidos, insensibiliza-se o toque...


Esvazia-se de vida, preenche-se de nada.


Elaine Soeira



quarta-feira, 3 de julho de 2013

Inconstâncias constantes

A poesia veio e foi embora como se brincasse de pique-esconde.

Embora as palavras tenham escapado, 


o brilho das estrelas e da lua continuam bordando o céu 

que se funde e confunde com o mar.

Marolas, revoltas, ondas, reviravoltas... 


e no instante em que abro os olhos, 

tudo diferente de sempre.

Elaine Soeira


Ponto de vista

E eu estava lá no alto, sozinha, com medo, cheia de dúvidas.
De repente, resolvi abrir os olhos e espreitei à janela.
Vi um, dois, vários. Bordavam o céu, inscreviam vida no chão.
As luzes das cidades, das vilas, povoados acendiam-se. Instigavam-me.
De forma tão ordenada, construíam significados, talvez, (des)pretensiosos.
Cá de cima, eu vi o que, lá de baixo, podiam nem suspeitar.
Quase instantaneamente, mais um aparecia, emoldurando um lugar que não sei onde é, mas poderia denominar cada um, a partir do que vi.
De cima também vi, o céu mudando de cor, de um azul adornado com nuvens brancas, para um rosa-alaranjado que chegava mansamente, informando às outras cores que precisavam seguir viagem.
Sem pedir licença, as estrelas foram chegando... sozinhas, em bandos. Lindas!
E a lua, também encontrou seu espaço, seu lugar, enquanto o rosa-alaranjado cedia lugar a um azul marinho intenso.
A essa hora, o medo havia dado permissão à confiança. Respirei fundo, agradeci, aqueci meu coração e contemplei, mais uma vez, aquele pedaço da Terra, emoldurado pela janela.