sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Luz

Ainda que seja noite,
mesmo que esteja escuro.
Que haja flores para perfumar,
borboletas para suavizar,
águas calmas para contemplar,
estrelas para brilhar.
Porque todas as belezas,
estão em sua alma,
brotam de sua luz.

Elaine Soeira

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Dar-se tempo

Pra quem anda afoito
Em cerradas lutas com o tempo
Nem sempre contempla belezas
travessuras e dúvidas
Permanece rascunho do que seria projeto.
Elaine Soeira

Paisagem: texto aberto

Paisagens são textos em aberto
Versos por terminar
Instâncias infinitas de possibilidades,
Singularidades
Olhares são capazes de
Desavessar o real
Desafiar o normal
Harmonizar o não convencional
As lentes captam objetivamente
O cérebro interpreta perceptivamente
Sensibilidades, adversidades…
Invertitudes.

Lugares

Sou de duas terras: uma de sangue, outra de escolha
Por elas se chega pelos ares, pelas terras, pelos mares
Compartilham e dissociam
Aproximam e afastam
Desafiam, maltratam
Acalentam, reatam
Amo as duas!
Suas presenças, suas ausências
Paciência!
Seus vazios barulhentos,
seus preenchimentos silenciosos.
Seus verdes, seus mares
Seus céus, azuis, saudades…
Sou de duas terras… sou de tantas terras

Elaine Soeira

Semear, semeare

Há que semear,
Nas terras secas, nas terras úmidas
Nas águas do mar, no leitos dos rios
Nos céus
Nas pedras, nas areias…
Movediças ou petrificadas.
Há que semear esperanças.
Elaine Soeira

Flores raras, somos tod@s nós

Assistindo Flores Raras, dei-me conta do quão sofrida é a busca da perfeição naquilo que se faz.
Dei-me conta de quanto me desprendo do mundo buscando a exatidão e a perfeição, ainda que nem sempre precise, ainda que nem tudo mereça. Não que não mereça o bem feito, mas não merece que eu me desprenda de mim mesma, para me prender às burocracias.
Ao menos me restam duas coisas: a consciência e a escrita despretensiosa.
Foi um acerto não decidir ser poetisa por profissão, nem escrever livros por devoção. Adotei a escrita como tradução do que não consigo dizer e materializar pelas vias da objetividade. É meio de dizer das perdas, dos ganhos, das dúvidas, das paixões… dos (des)encantos…
Elaine Soeira

Bem que podia

Bem que podia
Me pegar despreparada
Uma paixão desatinada
Uma atração inesperada
Me deixar desconcertada
Bem que podia
Um encontro inusitado
Num dia não planejado
Um príncipe (des)encantado
Bem que eu queria
Ter a vida reinventada.
Elaine Soeira

Apagar lembranças

Foste,
brilho dos meu olhos
sol da minha noite
lua do meu céu
estrelas dos meus dias
cores dos meus sonhos.

Desbota-te!
Faço-te uma súplica premente.
Desbota-te como fotografia antiga
Desintegra-te como as velhas cartas
Esmiúda-te e descolore-te
dos meus sonhos, dos meu dias
do meu EU.
Desperfumei minhas lembranças.
Guardei-te onde não posso mais lhe ver
Onde tua presença se faça despresença
Silenciei-te nos cacos do espelho quebrado,
para que permaneças presença
naquilo que não mais me magoa.
Elaine Soeira