sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Em busca de uma bolsa perdida e outras marmotas

Toda viagem, perto ou longe
Quer queira, quer não
É potencialmente plena
De lotes de emoção

De Maceió nós saímos
Para em Natal atracar
Malas cheias de esperanças
Coração pulsando forte
Vamos outra vez nos formar!

A viagem foi longa, cansativa
E igualmente divertida
Só teve gente que não gostou
Das paradas pra comida

O hotel bem confortável
Apesar da lagoa inexplicável
No banheiro das meninas
Mas o que é uma lagoa?
Para quem o painel de decoração
Consegue, ao empurrar a cama, arrancar?


O campus do IFRN nos deixou encantadas
Talvez com uma pontinha de inveja
Ao lembrarmos-nos da nossa peleja:
A eterna reforma do campus Maceió

Se a estrutura era avessa à costumeira,
Deixamos logo de besteira
Pois na porta, sempre a postos
Uma árvore charmosa nos recebia faceira.

Para além dos aprenderes,
Queríamos uma bolsa
De preferência à tiracolo
Para nossos pertences acomodar
Porque professor que se preza
Tem muitas tralhas pra levar

Uma leve tristeza nos tomou
Quando fomos comprovar
Que a esperada bolsa
Era uma bela pasta, sem alça pra pendurar


Já era de se esperar que a bolsa
Não caberia um terço do que pretendíamos levar
Começou a investida para outra comprar

Futucando daqui e dali
Viemos a encontrar
A bolsa ecológica da Eva
Cheias de maçãs pra enfeitar
Compramos logo de lote
E saímos felizes a desfilar

Mas isso não é tudo,
Fugimos do evento um tempinho
Para poder explorar
Um pouco da cultura
Do povo potiguar

Mas como tudo tem ônus e bônus
Entrando e saído de lojas
Uma de nos se perdeu
E de tão preocupadas
Ficamos nos perguntando:
Onde ela se meteu?

A TIM não colaborava
Perdemos todo o sinal
Em breve demo-nos conta
Que a feira chegara ao final

Liga daqui, recado dali
E nada da sumida aparecer
De repente, eis que ela desponta brejeira.
Antes de dar-se conta
De ter feito uma bobeira

Pensou ter partido de nós
A convocatória feita, pelo serviço de som
Qual nada!
Nenhuma de nós pensara nessa possibilidade

Seguindo para o almoço,
A moça brejeira deixou o grupo
Pois havia se metido
Num pequeno angu de caroço


Dera-se conta de ter perdido a pasta
(aquela pastinha do evento)
Se a bichinha tivesse alça,
Menor teria sido o tormento,
Certamente não haveria
O fatídico esquecimento

Um tempo depois
A pastinha fora encontrada
Por uma das lojistas
Que ficou sensibilizada
Fora ela quem colocara
O nome no serviço de som
Graças a Deus ainda existe
Gente com coração bom.

Ainda tem mais coisa,
Mas por, hora, preciso parar
Nas cercanias de cá,
Tenho outros textos para tricotar.
Espero revê-las em breve
Para outras marmotas colecionar.


Elaine Soeira
Agosto/2013