O que circula por aqui hoje é inspirado em um fato verídico envolvendo a minha pessoa e uma peça que assisti essa semana, A cantora careca, classificado no chamado "Teatro do Absurdo". Não que meu texto tenha tal pretensão, mas, ao pensar em escrever sobre o fato, achei que seria banal. Quem iria querer ler sobre duas unhas perdidas? Pois então, lembrei do texto, sem nexo, mas representativo de um movimento. Posto isto, decidi deixar os 'presepitismos bole-bolenses e saramandistas' de lado e lá vai.
Unhas...
porque tê-las?
porque não tê-las?
Quietas, paradas
Lentamente movem-se
De forma quase imperceptível.
Para que mesmo servem?
Que falta fazem?
Nunca tinha perdido uma unha.
Agora estou perdendo duas.
Pela vaidade de um sapato
Que as apertou demais
Usei-o duas vezes
Senti a dor
Não percebi o estrago
Uma já se despediu
A outra está por um fio.
Unhas me ensinam sobre o cotidiano
Há coisas que ganham valor quando partem.
